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O proprietário da pizzaria investigada por um surto de intoxicação alimentar em Pombal, no Sertão da Paraíba, se pronunciou nesta quarta-feira (18), durante entrevista ao programa Tribuna Livre, da TV Arapuan.
Identificado como Marcos Antônio, o empresário lamentou a morte de uma mulher e os casos de pessoas que passaram mal, e afirmou que está colaborando com as investigações conduzidas pela Polícia Civil e órgãos de fiscalização.
“Quero deixar minhas condolências à família da vítima e a todas as pessoas que foram prejudicadas. Estou em oração e torcendo para que tudo seja esclarecido”, disse.
Empresário nega irregularidades
Durante a entrevista, Marcos Antônio afirmou que o funcionamento da pizzaria seguiu padrões habituais de higiene e produção, sem qualquer anormalidade no fim de semana em que os casos foram registrados.
“A gente sempre trabalhou no mesmo padrão, com ingredientes frescos e preparo diário. Nossa equipe segue protocolos com luvas, toucas e aventais. Não vejo nada fora do padrão nesses dias”, declarou.
Ele também destacou que parte dos insumos utilizados é de fornecedores terceirizados, mas garantiu que sempre buscou trabalhar com produtos de procedência confiável.
“Alguns produtos são terceirizados, mas sempre prezamos por fornecedores responsáveis”, afirmou.
Colaboração com autoridades
O empresário disse ainda que foi o próprio estabelecimento que acionou a Vigilância Sanitária após o ocorrido e que vem colaborando com todas as autoridades.
“Eu mesmo entrei em contato com a vigilância, pedi a visita e estou fornecendo todas as amostras e informações solicitadas. Quero entender o que aconteceu para limpar meu nome”, disse.
A pizzaria segue interditada após inspeção da Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa), que apontou irregularidades sanitárias no local.
Defesa fala em investigação paralela
A advogada do empresário, Raquel Dantas, afirmou que a defesa também realiza uma investigação própria para entender os fatos e questiona a origem de todos os casos registrados.
Segundo ela, há indícios de que parte dos atendimentos possa estar relacionada a um possível surto viral na região, com sintomas semelhantes aos de intoxicação alimentar.
“Estamos levantando quantas pessoas consumiram no local e quantas deram entrada nas unidades de saúde. Há relatos de pessoas com sintomas que não ingeriram pizza”, afirmou.
A advogada ressaltou que a conclusão depende dos laudos periciais, que ainda estão em andamento.
“Só teremos uma resposta concreta com as perícias. Estamos à disposição da Polícia Civil, dos órgãos de fiscalização e do Judiciário”, completou.
Investigação segue em andamento
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil e por órgãos de saúde. Amostras de alimentos e exames periciais devem apontar a causa do surto e esclarecer se há responsabilidade do estabelecimento.
Entenda o caso
Como começou o surto
Cerca de 118 pessoas deram entrada em unidades de saúde entre o domingo (15) e a terça-feira (17), com sintomas como náuseas, vômitos, dores abdominais, diarreia e mal-estar.
Os atendimentos ocorreram na UPA e no Hospital Regional de Pombal. Na UPA, 44 pacientes foram atendidos e receberam alta. Já no hospital, 74 pessoas deram entrada, sendo que, até a última atualização, uma criança de 8 anos e uma mulher permaneciam internadas.
Em comum, os pacientes relataram o consumo de pizzas no mesmo estabelecimento, ainda na noite do domingo.
Quem é a vítima que morreu
A vítima foi identificada como Rayssa Maritein Bezerra e Silva, de 44 anos, engenheira agrônoma e servidora pública.
Ela esteve na pizzaria com o namorado e consumiu uma pizza de carne de sol. Ambos passaram mal horas depois. Inicialmente, receberam atendimento e foram liberados, mas Rayssa voltou ao hospital na segunda-feira (16), com agravamento do quadro.
Segundo o Hospital Regional, ela apresentou rápida evolução clínica, com sinais de infecção grave, foi levada à UTI e morreu na terça-feira (17).
Imagem: Reprodução / TV Arapuan
Pizzaria foi interditada
O estabelecimento, identificado pelas iniciais L.F., foi interditado após inspeções da Vigilância Sanitária municipal e da Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa).
Durante a vistoria, foram encontrados diversos problemas sanitários, como:
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Presença de insetos e indícios de pragas
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Alimentos mal armazenados
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Falta de controle de higiene
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Equipamentos danificados
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Ausência de documentação obrigatória
Segundo a Agevisa, o local estava em “total desconformidade com a legislação sanitária” e sem condições de funcionamento.

O que dizem as investigações
A Polícia Civil abriu inquérito para apurar a morte da mulher e o surto coletivo. O dono da pizzaria já prestou depoimento, assim como alguns clientes.
Exames periciais estão sendo realizados tanto nos alimentos recolhidos quanto no corpo da vítima, para identificar a causa da contaminação. Os laudos devem ser concluídos nos próximos dias.
Próximos passos
O caso segue sob investigação da Polícia Civil e de órgãos de saúde. A expectativa é que os laudos laboratoriais confirmem a origem da contaminação e ajudem a definir eventuais responsabilidades.
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